6.7.07

As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

Marion disse...

O amor é algo que não temos como entender por completo. Impossível saber as razões do amor... mas amar é muito bom! Melhor ainda quando o amor é correspondido!

Beijos

pedrita disse...

adoro esse poema. beijos, pedrita

Rodrigo Soares disse...

O Cacá é foda, não, linda?
É estranho, às vezes... tem coisas que se quer dizer, ou se gostaria de ter dito, mas você não sabe (ou soube) como... tenho que lembrar de recorrer a poemas mais freqüentemente! Mas o desafio da linguagem é assim mesmo. Não é raro faltar palavras!